Sobre o Kallme
Trabalhos manuais como herança, hobby e refúgio.
Oi, sou Mai Marini. Sou desenvolvedora full stack há cinco anos, turismóloga de formação, mãe de dois meninos, capixaba de coração e rondoniense de nascimento. E sou neta de uma costureira que sustentou uma casa inteira fazendo vestidos de noiva.
Acho que é por aí que esta história começa — pelas mulheres antes de mim.
Uma linhagem de mãos que criam
Minha bisavó, imigrante italiana, fez macarrão artesanal até o último dia da vida dela. Minha avó costurava vestidos de noiva e enxovais de batizado e foi assim que pôs comida na mesa. Minha mãe — primeira mulher da família a ter ensino superior — divide até hoje a vida entre a profissão de fisioterapeuta, três filhos, animais resgatados e uma capacidade quase inexplicável de transformar qualquer coisa em obra de arte.
Cresci vendo arte sair de mão em mão. Foi minha mãe quem colocou uma agulha de ponto-cruz na minha mão pela primeira vez, eu tinha 11 anos. Daí pra cá nunca mais parei. Aprendi crochê, costura, macramê — uma técnica puxando a próxima, sem pressa, sem ambição profissional. Só por gosto.
Meu primeiro projeto grande foi um jogo de cama inteiro do Garfield. Levei quase um ano pra terminar. Eu sentava de um lado do sofá com meu trabalho, minha mãe sentava do outro com o dela — e a gente assistia televisão sem trocar uma palavra, só com o som das agulhas e da TV. É uma das memórias mais bonitas que eu carrego.
O quintal do meu pai
Cresci numa casa com quintal grande, daqueles cheios de árvore frutífera, cheios de planta. Meu pai cuidava do jardim com uma paciência que eu só fui entender depois de adulta. A memória mais bonita que tenho dele é o canteiro de onze-horas que ele plantava — flores que abriam toda manhã e fechavam à tarde, como um ritual.
Lembro do cheiro da Dama da Noite que ele cultivou por anos. Das orquídeas que ele amarrava no pé de pitanga. Da forma como ele passava o fim de semana inteiro só mexendo na terra. Foi com ele que aprendi que cuidar de planta é uma forma de cuidar de si.
Antes das mãos, as palavras
Eu posso dizer com segurança que minha história com a leitura começa de um momento muito específico, protagonizado por mim, minha mãe e um fusca branco. Num dia comum, depois da escola, eu estava sentada no banco de trás do carro com ela, esperando meu pai resolver algumacoisa lá fora. Eu já lia na escola, mas, até aquele momento, minha mãe não tinha visto essa minha mais nova habilidade em prática, e quando eu li o letreiro da loja da frente, "Foto Vilhena", minha mãe fez festa dentro do carro, me encheu de beijos e elogios, e isso alterou a química do meu cérebro de alguma forma, ler se tornou um dos meus maiores prazeres.
Comecei com livros infantis, depois passei a invadir a estante da minha mãe, e aos 12 anos já estava devorando livros de terror e suspense porque os infanto-juvenis não me desafiavam mais.
Hoje sou dona de uma pequena biblioteca de mais ou menos 300 livros físicos — sim, contados — e de um Kindle abarrotado de títulos que me acompanha em qualquer lugar. Leio na sala enquanto faço crochê. Leio antes de dormir. Leio enquanto espero alguma coisa demorar. É o jeito que eu encontrei de viver duas vidas ao mesmo tempo.
Por isso o Kallme também vai falar de livros, uma categoria chamada Minha estante, onde vou dividir o que ando lendo, o que me marcou e o que recomendo. Livros sobre trabalhos manuais, sim, mas também ficção, ensaios, memórias, tudo que entra na minha estante real.
Por que existe o Kallme
O Kallme nasceu da junção honesta de três coisas: a vontade de ter um projeto que crescesse junto comigo (inclusive financeiramente), meu gosto pela escrita, e a vontade de compartilhar o que aprendi nesses anos todos com agulha, fio e terra.
Mas tem outro motivo que eu preciso confessar. Eu me cansei dos blogs de craft que tem por aí. Daqueles que mostram uma foto linda na manchete e quando você clica, o produto da foto nem aparece no texto. Dos sites tão cheios de propaganda piscando que você não consegue mais distinguir o que é conteúdo e o que é anúncio. Dos tutoriais incompletos que prometem "5 passos fáceis" e abandonam você no passo 3.
Eu queria o oposto disso. Um lugar quieto, organizado, com conteúdo de verdade. Onde as recomendações são honestas porque partem de quem realmente testou ou pesquisou a fundo. Onde a curadoria existe pra te poupar tempo, não pra te empurrar coisa.
Como me posiciono aqui
Vou ser direta com você sobre uma coisa: eu não sou artesã profissional. Faço crochê desde os 11 anos, costuro, faço macramê e ponto-cruz, sei lidar com terra e planta — mas sempre como hobbyista. Faço peças pra mim, pra minha família, e pelo simples prazer de fazer.
O que eu sou é uma curadora e pesquisadora. Quando escrevo aqui sobre um produto, é porque eu mesma usaria ou usei. Quando recomendo um tutorial, é porque eu mesma testei ou estudei. Quando indico um livro, é porque ele me marcou.
É essa honestidade que eu prometo: nada de promessa mirabolante, nada de "produto milagroso", nada de venda forçada. Só o que eu genuinamente recomendaria pra uma amiga.
Pra quem é o Kallme
Penso muito numa leitora específica quando escrevo: mulher dos trinta-tantos pra cima, que trabalha durante a semana e procura um hobby que devolva a calma do fim de semana. Que quer criar coisas com as próprias mãos sem se sentir burra por ser iniciante. Que valoriza honestidade acima de tudo.
Se você se reconhece nisso, o Kallme provavelmente é pra você.
Como o Kallme se sustenta
Falando nisso — uma transparência importante: o blog ganha dinheiro através de links de afiliado. Quando você compra algo através de um link daqui, eu recebo uma pequena comissão sem custo adicional pra você. É assim que pago hospedagem, domínio e o tempo que invisto criando conteúdo.
Mas tem uma regra que eu não quebro: nunca recomendo um produto só pela comissão. Se um produto barato sem programa de afiliado é melhor que um caro com comissão alta, eu recomendo o melhor. Sempre. A página de Divulgação de Afiliados explica isso em detalhe.
Vamos conversar
Adoraria saber o que te trouxe até aqui. Manda um oi pra support@kallme.online — leio todas as mensagens e respondo em até 48 horas em dias úteis.
Se quiser ver o que ando criando no Pinterest, é só me seguir por lá.